Boato sobre saída de Guedes assusta mercado e bolsa cai; dolar sobe: economista chefe da Bluemetrix Ativos concede entrevista ao Correio Braziliense

O Economista chefe da Bluemetrix Ativos, Renan Silva, participou de uma entrevista ao Correio Braziliense, onde foi debatido um tema muito importante para o cenário econômico brasileiro, a Reforma da Previdência.

Segue na íntegra a matéria completa:

“Em meio ao atraso na votação da reforma da Previdência no Senado, somado ao boato de saída do ministro da Economia, Paulo Guedes, em 2020, o Ibovespa caiu quase 2% e fechou a 100.572 pontos, nesta segunda-feira (7/10). Já o dólar, influenciado também pelas baixas expectativas do mercado de que os Estados Unidos e a China cheguem a um acordo comercial rapidamente, teve alta de 1,18%, cotado em R$ 4,10. Para especialistas, as questões externas e as incertezas em relação ao governo foram determinantes para o movimento do dia.

Rumores de que Guedes deixaria o Ministério da Economia no ano que vem, desmentidos depois pela pasta, pressionaram os mercados. “No meio do pregão, isso até pode ter impactado, mas depois que desmentiram, acredito que não teve um impacto tão grande. Mas em alguns momentos, muitos investidores preferiram vender suas posições”, explicou Elídio Almeida, analista de mercado da Valor Investimentos.”

Em relação à cotação do dólar, foi citado na matéria que o principal motivo da alta foi “a queda constante da semana passada” e as tensões relacionadas ao acordo comercial entre China e EUA. Na próxima quinta-feira, as duas potências devem se reunir. “Muitos importadores começaram a fazer proteções com essa queda, recuperou-se pouco hoje por conta da incerteza sobre a reunião de quinta-feira. Pode ser que a China não feche acordo algum com os EUA”, avaliou Almeida.

O economista da BlueMetrix Ativos, Renan Silva, também reforçou que o principal fator para a alta do dólar foi a “aversão ao risco de um cenário internacional”. “O desaquecimento da economia global vem sendo demonstrado por meio da produção industrial, que caiu pelo terceiro trimeste consecutivo. Para os mercados, isso é um prenúncio de uma possível crise. Outro indício que percebemos é que os bancos norte-americanos também não estão facilitando o crédito, estão com certa resistência de fazer novos empréstimos. Isso realmente acaba afetando os países emergentes, cujo risco é maior”, alertou o especialista.

Para Silva, o cenário interno ainda está “relativamente favorável” ao desempenho do Ibovespa e do dólar, devido aos juros mais baixos e ao controle da inflação. Porém, ele acredita que pode haver uma questão psicológica do mercado em relação a reforma da previdência. “Mediante uma aversão ao risco com o mercado internacional e uma guerra comercial entre EUA e China, agora temos que digerir também o possível impeachment de Donald Trump (presidente dos EUA), somado a essa desidratação da reforma da Previdência”, constatou o economista. “É claro que estamos particularmente cautelosos.”

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