Dólar bate recorde mais uma vez e fecha a semana a R$ 4,48

dólar

Apesar da variação positiva de 1,15% do Ibovespa no pregão desta sexta-feira (28/2), empresas listadas na B3 acumulam fortes perdas em valor de mercado na semana, devido aos impactos da epidemia de coronavírus nos mercados financeiros.

Com os investidores atentos ao avanço do coronavírus no mundo, o dólar comercial alcançou recorde nominal pelo terceiro dia consecutivo, mesmo com as recentes intervenções do Banco Central no mercado mediante leilões de swap cambial — operação equivalente à venda de dólares no mercado futuro. No ponto máximo, nesta sexta-feira (28/2), a moeda norte-americana chegou a bater em R$ 4,51, mas terminou o dia cotada a R$ 4,481, com alta de 0,08% em relação à véspera. Na semana a moeda acumulou alta de 2,01%. no ano, o avanço chega a 11,75%.

O economista da BlueMetrix Ativos, Renan Silva, definiu a postura do BC mais como de vigilância do que de atuação contundente, prevalecendo a política de flutuação do câmbio. “Temos uma situação diferente do passado. O impacto desse câmbio não é tão relevante como antes. O BC está evitando tomar medidas precificadas para defender a moeda porque não há ataque especulativo ao real”, disse. Ele lembrou que, além do movimento de flight to quality —  quando os investidores passam a comprar ativos mais seguros e tiram o dinheiro de mercados emergentes —, o câmbio brasileiro também reflete o fato de os juros domésticos (Taxa Selic) estarem na mínima histórica, o que reduziu a atratividade de aplicações no país.

Mesmo sem estabelecer um limite para a alta do dólar, Silva considerou que a autoridade monetária está atenta a esse movimento. “Temos que lembrar que várias empresas brasileiras têm um grau de endividamento relevante em dólar. Chega um momento em que não fica mais interessante o câmbio flutuar livremente, tendo em vista que pode afetar o resultado dessas empresas. A partir desse patamar de R$ 4,50, como chegou até a bater hoje, acho que o BC pode atuar um pouco mais intensamente para evitar o aumento do endividamento em dólares das empresas brasileiras”, destacou.

 

Aversão

Nos mercados globais, o clima de aversão ao risco continua forte. A bolsa de Frankfurt fechou com desvalorização de 3,86% na sexta-feira. As bolsas americanas chegaram a cair 3%, mas terminaram o dia com quedas próximas de 1% — a Nasdaq fechou com leve alta de 0,01%.

No Brasil, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) operou com bastante volatilidade. No final da manhã engatou forte queda, chegando ao patamar de 99.950 pontos, na mínima do dia, mas fechou com alta de 1,15%, a 104.171 pontos. Ajudou na recuperação a fala do presidente do Federal Reserve (Fed), banco central americano, que afirmou que pode haver um novo corte na taxa de juros do país para tentar conter os efeitos da epidemia do coronavírus na atividade econômica.

A alta não foi capaz de apagar as perdas dos últimos dias. Com a volta do feriado de carnaval e a correção abrupta, a B3 acumulou queda de 8,37% na semana. No mês, o índice brasileiro recuou 8,43%, o pior desempenho mensal desde maio de 2018, mês em que ocorreu a greve dos caminhoneiros, que paralisou o Brasil por semanas. Na quarta-feira, a B3 teve sua maior saída diária de capital estrangeiro da história, de R$ 3,068 bilhões.

Para o economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, durante a semana, o mercado já precificou os piores cenários possíveis. “Já foi colocada muita coisa nessa queda, foi uma semana muito intensa no mercado global. Acredito que tem que haver uma notícia muito ruim nas próximas semanas para que ocorram mais retrações desse tamanho”, avaliou.

 

Volatilidade

O economista da Par Mais, Alexandre Amorim, acredita que o noticiário deve continuar alimentando a volatilidade na próxima semana. Alex Agostini, analista da Austin Rating, alertou para a preocupação com cadeia de suprimentos. “A apreensão, que antes era somente com a China, começou a ficar mais ampla, já que outros países também devem sofrer desaceleração. No Brasil, ações de empresas exportadoras, como Vale, Petrobras, companhias de celulose, tiveram queda substancial. Essa semana teve uma preocupação maior em relação à capacidade do mundo em absorver consumo. O transporte estava sendo também comprometido por protocolos de segurança, e claro que aqui tivemos uma queda muito forte ações dessas empresas”, apontou.

O agravamento do coronavírus também levou a uma onda de corte de projeções do crescimento econômico. Agostini acredita que as revisões pessimistas para o PIB brasileiro podem ser exageradas e tem uma visão mais otimista. “Sabemos dos efeitos do coronavírus em escala global, mas no Brasil temos um processo de recuperação fomentado de dentro para fora, com vias de crédito, Taxa Selic baixa. E maior parte do PIB brasileiro é de consumo das famílias, não exportações. É prematuro revisar o crescimento deste ano exageradamente, sem nenhuma informação de atividade econômica das economias contaminadas. É difícil projetar esse impacto aqui”, considerou.

 

Recessão global no horizonte

Os mercados mundiais estão “crescentemente precificando” uma pandemia do coronavírus no planeta e uma recessão mundial, avalia o banco dinamarquês Danske Bank. “Há pouca dúvida de que a percepção dos agentes e os preços do mercado estão colocando uma probabilidade de rápido crescimento do surto de coronavírus para uma pandemia e uma subsequente recessão global”, destaca relatório da instituição financeira. “Os mercados aguardam agora as respostas de política econômica dos governos”, afirma o Danske.

Nos Estados Unidos, por exemplo, eles acreditam que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) pode ter de agir rapidamente e lembram que a próxima reunião de política monetária será nos dias 17 e 18 de março.

 

Medidas

Na Ásia, China e Cingapura já anunciaram medidas fiscais e monetárias, mas a Zona do Euro parece mais relutante. A expectativa é de que a Alemanha adote estímulos fiscais, mas a presidente do Banco Central europeu (BCE), Christine Lagarde, minimizou nesta sexta-feira (28/2) as chances de resposta imediata e disse que a instituição “não deve agir agora”.

Se os casos do coronavírus parecem crescer menos dentro da China, o Danske destaca que, em outras regiões, os números mostram o contrário, com rápida disseminação na Europa e em países como Coreia do Sul. Nesse ambiente, as bolsas mundiais estão em forte queda desde segunda-feira e o mercado futuro em Chicago já precifica três cortes de juros pelo Fed este ano.

Matéria publicada em 28/02/2020 pelo Correio Braziliense.

 

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